Um tanto já foi escrito... outros tantos já foram vividos
E agora eis me aqui, tentando entender onde tudo parou, onde nos perdemos.
Aboli os "porques". Além de machucar, não faz sentido nenhum procurar as razões pelas quais tomamos caminhos diferentes.
Simplesmente parei. E não, não esquecerei que fui eu quem jogou a toalha.
Como também não esquecerei do meu quase pedido de socorro, à única pessoa no mundo em que senti tranquilidade para fazê-lo, e como me senti descartada com sua atitude.
Não, eu não fiz e não faço questão de entender seus motivos, por que acho que nada justificaria sua falta de consideração e cumplicidade.
Sempre fomos parceiras, eu entenderia se me dissesse que precisava do seu momento. Como entendi e aceitei a sua ausência no "meu momento".
E foi ali que percebi como eu me anulava, anulava meus sentimentos pra não parecer que estava pensando só em mim. Eu nem me dei ao direito de ficar chateada com você. Eu não me permitia te culpar de nada, mesmo sabendo que a culpa não era minha.
Tanto tempo vivi engasgada com coisas pequenas que me chateavam, mas que minha cordialidade me fazia guardar pra mim. Algumas foram cuspidas quando meu pavio estava curto, outras foram simplesmente esquecidas pela minha péssima memória (sou grata por isso).
Eu tirei de mim mesma a força pra não cair, busquei em mim o impulso pra tocar em frente. Sem te cobrar, mas sem te deixar de lado.
Mas há quanto tempo estamos vivendo de aparências? Há quanto tempo não temos pelo menos meia hora de conversa sobre nossas vidas? Desde quando nos tornamos estranhas uma pra outra?
São muitas perguntas sem respostas, são muitas farpas trocadas sem motivo, ou talvez por todos os motivos juntos e acumulados.
E agora tudo parece vazio, escuro e confuso, mas é como se eu tivesse despertado de um sono profundo.
Um sentimento que sufoca e liberta.
Uma dor que rasga o peito, e ao mesmo tempo tranquiliza.
Talvez você estivesse certa quando dizia que eu não te via como alguém que pudesse retribuir o que fui pra você, talvez não te achasse capaz de me ajudar como eu te ajudei, talvez não conseguia me ver no lugar da ajudada e não da ajudadora. Não sei se fui condicionada a pensar assim, ou se talvez você não soubesse como retribuir. Eu me perguntava, até que ponto você era aquilo que eu via em você, ou apenas aquilo que eu queria ver em você. O fato é que me senti descartada quando você chegou onde queria, quando não precisava mais de mim. Não te culpo, fui completamente sincera quando disse "sem brigas, sem comentários", mas infelizmente não consigo mais ignorar meus sentimentos. Essa talvez tenha sido somente a última gota d'água, mas foi ela que me fez parar de fingir que eu não sangro. E vou usar essa mágoa pra me fortalecer e seguir em frente. Sem você, sem nós!!!
Acho que o plano era esse mesmo, te mostrar que você é capaz de ir muito mais além do que imagina. E me conforta saber que a missão (bem ou mal) foi cumprida.
Espero que essa sensação ruim passe e eu volte a me sentir útil, sem me sentir usada por alguém.
Espero que isso não me feche mais ainda pro mundo, para as pessoas e coisas que estão por vir.
Vai passar!!!
Espero que você tenha muito sucesso na sua vida, que tenha sabedoria pra escolher entre o bem e o mal, entre quem te faz bem e quem não te acrescenta em nada. Que tenha paciência e cautela pra enfrentar as dificuldades e que acima de tudo, que não te falte amor e paz.
Um dia espero te reencontrar numa bem melhor...
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